No alto, ergue-se o majestoso candelabro celeste,
e na planície espraia-se um lago de luar,
Tremo, inquieto-me, na imensidão que me engole gentilmente.
Paro, escuto, alertam-se-me os sentidos!
Sinto o rondar de uma fera,
O redistribuir do seu peso a cada passo silencioso,
O eriçar do manto molhado,
O arreganhar das presas afiadas...
Fecho os olhos. Preparo-me.
Para receber o salto que vem na minha direcção.
Essa garra que arranha o instinto,
Essa força pujante de um animal humano,
Essa fome após o letargio invernal.
Contraio-me. Recebo-te.
Sou o alvo e o dardo,
Sou um sôfrego respiro sobre o teu arfar,
Sou um olhar curioso que a tua visão deixa capturar,
Sou um toque fluido na tua negra pelagem perdido.
Perco-me. Fujo-te.
Não sem antes,
Pregar o meu odor ao teu olfacto,
Dar o meu sabor ao teu paladar,
Vincar as (nossas) pegadas num caminho,
Entregar a minha dor ao teu destino,
Entregar a minha dor ao teu destino,
Tatuar-te em mim.
Teimo.
Num gesto nu, adormento-te a vontade.
De lábios mordidos e punhos cerrados, tomo o trilho contrário.
Ficando na noite do lobo,
Ficando na noite do lobo,
A lenda, dum uivo gravado (dum triste latido uivado)...