quarta-feira, 23 de março de 2011

Éden

Ele.
Um másculo rochedo,
pateticamente curioso,
prova a carne frutuosa,
da mão da sua costela mais formosa.

Ela
Delicadamente falsa,
serpenteia-se pelos ramos do conhecimento,
para se saciar no acre da cidra,
que sem demora partilha...

Eles.
O ridículo da união,
dá Abel à ira de Caim.
jaz morto, que se toque o clarim.

Nós.
Legado, pesado o nosso,
a cruzar o mundo a corrigir,
porque apenas sonhamos,
um dia, o éden, poder redescobrir!

Caça

Insinua-se.
Um sedutor olhar desviante,
portador de um desprezo controlado,
a cativar a atenção...

Respondo.
Um sinuoso movimento,
desinteressadamente feminino,
a algemar-lhe a vontade...

Aproxima-se.
Qual predador sem presa,
rodeia sem se revelar,
na pressa da armadilha montar.

Finjo.
Sou um sorriso, para lá de mim
sou pele frágil e inocente,
a vestir um aço, osso, reluzente.

Apresentamo-nos.
Longe das palavras,
emergem os nossos corpos,
os nomes são lábios,
e o "- Prazer..." um beijo roubado.