Mais uma vez viagens, esta num contexto diametralmente oposto à anterior... se uma era em contexto humanitário esta foi sem dúvida em contexto urbano, consumista e muito mais...
Um consumo de gente, de movimento, de cultura, de compras... um frenesim de coisas e lugares para abarcar em contra-relógio... e de repente algo se sucedeu... o tempo ficou suspenso... um tal de "matrix", onde tudo em torno rodava a um compasso diferente do que se passava em mim... até que o tempo recuperou e eu colidi brusca e inesperadamente contra uma carga flamejante (ou colidiu contra mim), que mesmo agora que escrevo com algumas semanas de intervalo, continuo a sentir as réplicas, da sua vibração, do seu calor em cada extensão de mim, no corpo, na mente, nos sonhos...
A terra de sua Majestade, sempre me afastou dela... pequenos percalços sempre adiaram a sua descoberta, desta vez, até aterrar, pensei que o mesmo se iria suceder, na verdade coloquei foi em risco o retorno...
Agora à luz dos acontecimentos, tenho tendência para acreditar, que estive a realizar um caminho, arranjar uma bagagem pessoal, para poder conhecer a cidade mais cosmopolita da Europa, de forma a torna-la inesquecível... aprendi e vi o que tinha a ver, turística, profissionalmente... tomei em grandes tragos, a efervescência daquelas ruas, mergulhei profundamente nas paisagens pictóricas de Turner, para me deixar rodopiar ao som dos musicais, ser arrastada pela azafama mundana das sacolas de compras, das livrarias, das lojas de brinquedos, pelos corredores labirínticos do metro... seguindo sempre as vozes que incessantemente alertam e nos informam... deixei-me levar pelos lugares literários, cinematográficos... recriei em cada um a minha propria historia, fui ainda a turista típica, a caminhar horas e horas entre "lugares de culto", património de uma terra, de uma identidade que se dilui aos poucos no mundo global... fui mais uma entre milhares de forasteiros, mas acima de tudo esta viagem trouxe-me não só o desfrutar da companhia dos meus amigos (mais uma vez fora do ovo), mas acima de tudo deu-me de mão beijada... a possibilidade de sentir tudo e deixar-me ir... sem bloqueios ou desculpas... simplesmente caminhar por entre milhares de pessoas e enfeites de natal... sem estar fechada em mim...permiti, que a tua vontade (em sintonia com a minha), levasse o meu retrato solitário a desfazer-se nas águas turvas do Tamisa...
A noite, que se instala de véspera (anoitece às 16h) raiava-se de luz, quando envergonhado o Big Ben continha-se para não anunciar as 18h30, que se tornara quase numa espécie de hora "coca-cola light"... Ah... sinto falta do peso da mão, na alça/tira do meu casaco...
Há uma imagem que carrego comigo (no meio de tantas outras...), o "Hyde Park" à noite, aquela imensidão de lago, os patos, todos eles alinhados (não estivessem eles em terras de protocolo!), e nós os três solitariamente confortáveis no nosso riso, a cantarolar para afastar a brisa gélida do vento que teimava em nos chicotear o rosto... sim, é uma imagem incrivelmente simples e quase universal, mas estará sempre associada a esta viagem...
Adorei, um povo organizado, metódico, "polite"... (até os patos, os cães e os esquilos!) o que alguns chamariam de "rebanho/carneiros" que fazem tudo igual, eu chamo de próximo a utopia realizada, verdadeiramente senti e vivi o conceito de "povo civilizado", e que miscelânea de povo, gente de todos os cantos do mundo (segundo uma fonte próxima até da Nova Caledónia!) que apesar de tudo na sua possível harmonia urbana assimilaram estes e outros hábitos...
No fim retive duas frases, uma que me sopraram constantemente no metro mais longo do mundo, e que dá titulo a este post "Mind the Gap", vou me manter alerta, a outra estava escrita (acho que em néon) na fachada da Tate Britain, " Everything is going to be alright"... Quero e vou fazer para que assim seja!
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Saudades...
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