domingo, 14 de março de 2010

Pote de ouro

É de manhã, uma manhã de domingo.
Aquelas manhãs silenciosas, suspensas, em que o mergulhar dos raios de sol primaveril nas janelas, são o único acontecimento que se evidência... Estão por toda a parte, lambendo as paredes dos prédios, espreguiçando-se pela paisagem, engolindo as sombras e criando pontos de reflexo que ofuscam.

Eu, estou no quarto, na sala, estou de janela em janela a contemplar o silêncio do dourado, o ruído dos brilhos, a amplificação de tudo isto no céu. Estou ocupada com tudo que se passa em torno, porque não quero sentir o nó que acordou laçado à volta da minha garganta... Se o ignorar, deixa de existir.
Assim, como o sombrio pressagio que me roubou a orfeu.. Também ele desaparecerá.
A luz vai enxotá-los, não vai?!
Só espero que, os raios sejam reflexos, dourados, de um tesouro que afinal não se perdeu...
Mas quando não há nada a fazer.... é porque tudo... já foi feito...
Assim, espero.

1 comentário:

  1. bonito o texto :)
    espero que a luz do sol tenha enxotado teus demônios (achei boa esta colocação em deferência ao nó da garganta). de tempos em tempos acho que todos acordamos com a garganta assim, embolada...

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