terça-feira, 19 de outubro de 2010

Tela

Com crueza o traço,
profana a pálida tela,
trilhando o caminho, 
(sempre longo até ao sucesso)
sempre menor que um passo,

surge num gesto,
mil imagens de todos ausentes em ti,
um esboço sem corpo,
numa tela que deixo de resto.

A paleta que tinge,
a paisagem de cenário,
o fundo cidade, que finge
em cada qual um actor secundário,

Dilui-se ainda a incerteza nua,
no momento, que se pinta, imortal,
pela cor porém... vibrará firme a agonia,
Nessa urbe vazia, cinzenta, vandalizada a metal;

Definidas por um traço comum,
Vagas, nos rostos anónimos,
serão ocas fraquezas,
virtudes de outros sinónimos.

Há porém...um...

Lugar menos obscuro, 
onde água é óleo!
a aguarás, perfumada,
a espátula, sem massa encorpada;

Ateliers de um conjunto,
de heterónimos tais,
que brindam à estranheza,
e em salvas aclamais!

Discorrem contos:
aveludados de sedosa linhaça.
para que seja no véu esfumado,
mantido; o ténue croqui de ambos,
num cavalete p'ra trás esquecido!

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