Eras,
Como uma escota caçada,
o vento a rugir no metal,
um cambar de vela,
um qualquer bordo afinal...
Estavas,
longe sem ferro,
perto de um outro cais,
só e de casco raspado,
por uma ou outra vaga
aconchegado...
És,
Um pouco de ti próprio,
solto em mar aberto,
num arrojado trapézio,
equilibrado.
Estás,
Como uma vela,
que em borboleta cruza o sol,
atípico rasgas em ondas
um horizonte destinado à liberdade,
mais um rumo sem amarras...
Serás,
a quilha a romper a espuma,
o respingar da água na proa,
o frio, o sol, o vento e o silêncio,
e não apenas a advertência,
de ti próprio faz, a palamenta!
Estarás,
um dia destinado,
a ser timoneiro da tua rota,
o "à deriva" perdeu-se em passado,
é boa a hora de te lançares ao largo...
Finalmente aparelhado,
faz-te coragem...
Ainda que, sem o peso do arrastar das redes...
jamais flutuarás num mar sem ser salgado!
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