domingo, 19 de julho de 2009

Pensamentos por extenso

Num silêncio cortante,
digo-te todas as palavras
que a falar já mais pronunciei
Cunho-as num papel,
com a esperança de que um dia se soltem letra a letra
e te sejam sopradas em sussurros.
Escrevo-as como um feitiço,
uma vontade sufocada
Desejo que se concretize.

Mas sem alento o papel amarelece
e eu nos dias vagos que caem no calendário
vou esmorecendo a minha prece
Sei que perdi!
o que afinal nunca tive,
quando as horas arrastam a folha para um canto,
e eu acordo mais uma vez sem ti.

sábado, 18 de julho de 2009

Diário


Num raio esguio da manhã,
Varro a imagem de um longo abraço, nuns braços perdidos...

Na tarde soalheira,
Revejo a luz de um olhar, de quem não vê…

(por fim…)

Encosto-me ao crepúsculo,
De um beijo, sem lábios…

(e deixo-me ir...)

Solta na aragem da noite,
Onde carrego uma carícia, doada ao vento…

(para que...)

No limbo alvor da madrugada,
Pronuncie a palavra sublinhada pelo... alento!

Um sopro de ilusão!

Onde estás?

Estás tão perto,
que o abismo que nos separa... é apenas a lactea névoa serrana da manhã...
Estás tão longe,
que a ponte que nos aconchega... range os dias em que se vestiu de esperança e desalento...

Fecha os olhos!
Ouve...

O cantar das correntes,
O ritmo da madeira a baloiçar,
O chiar do vento irrequieto,
O meu passo para te alcançar.