terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Flecha

Oiço o seu silvo atravessar o ar,
oiço o ribombar da corda ao soltar,
uma, duas, três... tantas quanto lhe bastar.

Sou o alvo, estanque;
Perante o seu arqueiro.

A primeira é assertiva,
todas as outras prolongamentos,
do seu rasgo ferido.

Correm lágrimas a cada seta,
disparada,

(o alvo chora o reflexo do arqueiro),
(o arqueiro derrama o pranto a si infligido),
A dor dilacerante da verdade omitida,
O prurido insaciável da ausência imposta,
A dormência latejante da perda, sobreposta,
ao ardor acutilante da raiva contraída.

Empaticamente sabem ambos o efeito,
das marcas deixadas, em cada um.
Alvo e arqueiro!
Pela percepção das suas posições,
antagónicas,
mas ironicamente complementares,
Resta a sequela...

Tudo.
Um campo de batalha.
A servir apenas o recolher das flechas lançadas,
e o sarar das mágoas...

1 comentário:

  1. brilhante a idéia metafórica do alvo e da flecha. sem meias palavras disseste perfeitamente como são/foram as coisas. cabe agora saber se a cicatriz ainda é incômoda?

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