sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Carta Para o Futuro


Olá!
Caros futuros habitantes da terra,

Como investigadora na área do património no meu país em 2011, passo dias, horas a imaginar como viviam realmente as outras culturas que precederam a nossa... infelizmente, o que podemos fazer é conjugar elementos e recriar à nossa maneira esse tempo que já se tornou passado...
Por isso quando descobri a hipótese, mesmo que remota de poder deixar um testemunho para o futuro, fiquei logo entusiasmada... mas 50.000 anos!? é quase como se lesse algo dos primeiros homens a habitar a terra...

Eu nasci, no virar de um século, alias de um milénio... e digo que foi um dos séculos em que ocorreram mais mudanças significativas... o homem foi a lua (na última metade do século XX o homem só olhava p o espaço à espera de ETs), Conseguimos perceber o ADN, temos Tv (agora são plasmas e LCD, e até ao final do ano no meu país apenas em sinal digital), o telefone já não nos chega por isso comunicamos, através de telemóveis (que parecem autênticos computadores), através de computadores (devem encontrar alguns no que tiverem agora a fazer de museu!) e e-mail! Alias, para ser precisa agora o Ipad e as tablets vieram revolucionar um bocadinho, e até os portáteis já são considerados old fashion. E claro, toda gente tem um perfil no facebook (um catalogo pessoal e de amigos... uma verdadeira fonte de voyeurismo moderna). Para terminar, aquecemos a comida que fazemos na bimby no microondas e a china invadiu os mercados com roupa de polyester! Sim... sem dúvida vivemos entre entulhos de material informático e plástico!
Agora em 2011 a grande preocupação para além do aquecimento global é a crise económica que se abateu em todo o mundo... algumas mudanças antevêem-se mas o plástico e os "tapawares" devem permanecer entre nós por mais umas quantas décadas! Agora o Euro (moeda única europeia) já viu um futuro mais risonho…
Tentamos desesperadamente encontrar a cura para muitas doenças, mas as principais que nos assolam e recebem alguma atenção por parte da investigação e dos grupos farmacêuticos são o cancro e a sida (que foi descoberta na década de 70/80 do século xx).
E acreditamos que a água potável, será um dos maiores problemas que iremos enfrentar num futuro próximo... Mas para já....
Presenciamos umas quantas guerras, mas a paranóia actual é o terrorismo... principalmente depois da queda das torres gémeas... (sinto-me como se estivesse a fazer um relato do colosso de rodes!)
Não faço ideia se estarão todos a comunicar numa língua comum, num inglês evoluído ou se o esperanto vingou... agora está na moda o inglês, até pensei deixar a minha mensagem nessa língua, mas acima de tudo, prefiro deixar na minha língua materna!  Que tola... já devem comunicar telepaticamente com tradutor automático incorporado! Nós não... e cada vez estamos menos letrados...  mas espero que no vosso tempo, o mundo ainda tenha gente interessada em descodificar estes textos, assim como nós fizemos c os egípcios...
Espero realmente que os livros não tenham desaparecido, essa é provavelmente a minha única angústia...
Eu vivo em Portugal, que segundo a ciência já não deve existir no vosso tempo... ao ritmo que a nossa costa sofre erosão... pois bem, Portugal é um país, da Europa ocidental que tem maior parte da sua fronteira no oceano atlântico, a outra fronteira (terrestre) é com a Espanha... “nuestros hermanos”. Não nos confundam com o mito Atlante... que deverá sobreviver até ao vosso tempo!
Falamos português e a capital é Lisboa. É um pais de clima ameno, e costumes brandos... a nossa história está cheia de feitos, já fomos senhores de um império. Os nossos escritores mais famosos são Luís de Camões (1524-1580) e Fernando Pessoa (1888-1935), apesar de termos ganho o Prémio Nobel da Literatura em 1998 com José Saramago (1922-2010). Por curiosidade, também ganhámos o Prémio Nobel da Fisiologia/Medicina, em 1949 com Egas Moniz (1874-1955), mas sendo o motivo algo sensível à luz da ciência médica actual, o melhor é falarmos de outra coisa. Temos orgulhosamente a palavra "saudade" que mais ninguém tem, e que quer dizer "sentir a falta de..." misturada com nostalgia... surge o Fado, a nossa música mais típica e vai concorrer a património imaterial da humanidade, esperemos que ganhe. Praticamente toda a doçaria portuguesa é feita a base de ovos - uma verdadeira tentação – ovos-moles, ovos queimados, pasteis de Tentúgal, barrigas de freira… Enfim um mar de açúcar e gemas. Temos ainda uma das zonas vinícolas demarcada mais antiga da Europa (ameaçada por uma barragem!), com o Vinho do Porto. Se existir, bebam um cálice por mim, quando ouvirem/lerem… sei la... este relato.

Quanto a mim sou uma jovem de 27 anos, a procura de emprego (já vos falei da crise não já!?) pois isto está complicado. Formei-me em escultura na Faculdade de Belas artes da universidade de Lisboa, e agora ando as voltas com a tese de mestrado em património, na faculdade de letras da universidade de Lisboa. Vivi um ano em Itália (devia ter ficado por lá...) onde estudei arte.
Nos meus tempos livres, que agora infelizmente são muitos, dedico-me a ler, a preparar as coisas para os escuteiros, pois faço parte desse grande movimento de jovens iniciado no século xx (primeiro milénio depois de Cristo), onde sou candidata (sim, nem aí tenho algo seguro) a dirigente. Estou a trabalhar com a 1ª secção – a alcateia (crianças dos 6 aos 10 anos). Também tento aprender salsa, numa escola de dança e até já melhorei bastante... e por fim sou voluntária numa instituição chamada Santa Casa da Misericórdia. Falo para além de português, italiano e inglês, mas como tenho tempo (já tinha referido, não já!?) estou a fazer um curso para melhorar o domínio do inglês...
Gosto de orquídeas, de viajar, de cozinhar e comer especialidades de diferentes partes do mundo, de nadar, fazer vela, de desenhar e de escrever, por isso vou mantendo um blogue (um tipo de diário virtual)....  ou seja só trivialidades!
Vivo com a minha mãe. O meu melhor amigo é engenheiro físico e provavelmente a única pessoa que me entende... Ainda não deixei descendentes no mundo, por isso... não sei se alguma réstia do meu ADN irá chegar ao vosso tempo... pois... 50.000 anos... yah!

Eu arrepio-me só de pensar... nos nossos homens das cavernas e as suas gravuras... eu a escrever num computador portátil... e vocês!? Vão estar a ler onde? Como? Esta nossa tecnologia vai ser arcaica para a vossa época... eles (os cientistas) vão gravar isto em DVD... no futuro ainda irão dizer qualquer coisa como “discos que provavelmente usariam como adorno”!
Entre nós e as pirâmides... está menos tempo... que entre eu e vocês no futuro... e penso em todo o enigma que eles são e continuam a ser para a nossa época...
Ver a nossa era como o enigma a ser estudado é no mínimo... bizarro!

Bem, poderia escrever um testemunho equivalente a 4 páginas de papel, mas ou a minha vida é mesmo desinteressante ou sinceramente não sei mais o que vos dizer, sobre este mundo em que vivo, sobre este planeta multicultural... rico em cheiros, sabores, fonemas e objectos.
Adoro o meu planeta, e espero que vocês também o adorem, espero que ainda possam viver nele e usufruir de todo o seu esplendor!

Com uma esperança naive... despeço-me com carinho,       
Sara 
7 de Janeiro de 2011



terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Flecha

Oiço o seu silvo atravessar o ar,
oiço o ribombar da corda ao soltar,
uma, duas, três... tantas quanto lhe bastar.

Sou o alvo, estanque;
Perante o seu arqueiro.

A primeira é assertiva,
todas as outras prolongamentos,
do seu rasgo ferido.

Correm lágrimas a cada seta,
disparada,

(o alvo chora o reflexo do arqueiro),
(o arqueiro derrama o pranto a si infligido),
A dor dilacerante da verdade omitida,
O prurido insaciável da ausência imposta,
A dormência latejante da perda, sobreposta,
ao ardor acutilante da raiva contraída.

Empaticamente sabem ambos o efeito,
das marcas deixadas, em cada um.
Alvo e arqueiro!
Pela percepção das suas posições,
antagónicas,
mas ironicamente complementares,
Resta a sequela...

Tudo.
Um campo de batalha.
A servir apenas o recolher das flechas lançadas,
e o sarar das mágoas...

domingo, 21 de novembro de 2010

Mordida

Há aqueles dias em que sentes que tens de escrever, mas... não há palavras que saiam... não há frases que se formem... mas aquele aperto continua... aquele tremor interno... que se quer jorrar em palavras, em frases... em grito.... acima de tudo...

Ontem fui-me deitar, com uma contradição dentro de mim... hoje acordei roída...
mordo o silêncio alvoraçado, dentro de algo imaterial... que se materializa em mim...

Não sei por onde começar... não sei por onde e como exteriorizar...
temo o arrependimento,
temo a posição que defendo... por oposição ao que quero...
temo ainda por tudo isto... afastar-te de mim...
temo não saber demonstrar o que sinto, e iludir-te com outro lado que pouco tem de mim...
temo que este texto não seja lido...
temo agora mais, que não seja de todo compreendido...
temo não estar a escrever o que devia...
temo escrever mais do que o que digo
temo jamais veres para la do acto irreflectido de olhar.

Estou aqui.
Mas, temo um dia não estar...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

TORANJA - Carta




Não falei contigo
Com medo que os montes e vales que me achas
Caissem a teus pés
Acredito e entendo
Que a estabilidade lógica
De quem não quer explodir
Faça bem ao escudo que és

Saudade é o ar
Que vou sugando e aceitando
Como fruto de Verão
Jardins do teu beijo
Mas sinto que sabes,
Que sentes também num dia maior
Serás trapézio sem rede
Pairar sobre o mundo
Em tudo o que vejo

É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago e feiticeiro
Que a minha bola de cristal é folha de papel
E nela te pinto nua
Nua, numa chama
Minha e tua

Desconfio que ainda não reparaste
Que o teu destino foi inventado por gira-discos estragados
Aos quais te vais moldando
E todo o teu planeamento estratégico de sincronização,
Do coração, são leis como paredes e tectos
Cujos vidros vais pisando

Anseio o dia em que acordares por cima
De todos os teus numeros,
Raizes quadradas,
De somas subtraídas,
Sempre com a mesma solução.
Nah!
Podias deixar de fazer da vida um ciclo vicioso,
Harmonioso,
Ao teu gesto mimado
E à palma da tua mão

É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago e feiticeiro
Que a minha bola de cristal é folha de papel
E nela te pinto nua
Nua, numa chama
Minha e tua

Desculpa se te fiz fogo e noite
Sem pedir autorização por escrito
Ao sindicato dos Deuses
Mas não fui eu que te escolhi
Desculpa se te usei
Como refugio dos meus sentidos
Pedaços de silêncios perdidos
Que voltei a encontrar em ti.

É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago e feiticeiro...

...E nela te pinto nua
Nua, numa chama
Minha e tua
numa chama minha e tua...

Ainda magoas alguém
O tiro passou-me ao lado
Ainda magoas alguém
Se não te deste a ninguém
Magoaste alguém
A mim passou-me ao lado...
A mim passou-me ao lado...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O adeus sorridente

A primeira vez que tive um blog não foi aqui... foi no space do Msn...
e os dois primeiros artigos que escrevi, foram sobre uma misteriosa personagem de lisboa.

Hoje fiquei a saber, que ontem deu o seu último adeus, e hoje toda a gente sabe quem ele é, Todos o tratam pelo nome de João Manuel Serra... há uns anos eu apenas sabia:


hoje ocorreu-me falar de alguem...

Alguem que todos conhecem ou julgam conhecer ( dos que se passeiam pela noite de lisboa),

Se tal como eu já passas-te pela zona do Saldanha, quando a noite é já quase madrugada, certamente foste presenteado com o aceno de uma mão, e um sorriso de um homem aquem os cabelos brancos ja revelam alguma idade...  

Este jovem de cabelos brancos, retribui calorosamente os acenos que lhe fazem ,a partir dos carros que esperam que o semaforo passe a verde.

De inverno e de verão camuflado pelos seus oculos escuros e a gabardine beje, sorri...

e que entusiasmo demonstra em cada sorriso, é mais um marco da nossa cidade, a cidade que não vem nos roteiros, mas a cidade que vive, que se afunda na solidão, que sobrevive!

Quem é afinal, quem é?! Porque está ele a espalhar sorrisos no meio da praça, em frias noites de inverno?!

Presto a minha homenagem a este homem...

Será o suficiente? Será que ninguem se interroga? Precesirá ele de alguma coisa ou de alguem? Qual o seu nome?!

ou bastam-lhe os nossos acenos... para saber que existe, que alguém o vê...

Não nos és indiferente, por isso te sorrimos, sabemos que lá estás, e se um dia faltares sentiremos...

obrigado pelo sorriso, o minimo que faremos é devolver-to...

façam-no voces também, se tiverem tempo... parem e dois dedos de conversa n farão mal...

ati e a lisboa que se enriquece com a tua anonima história!

Maio de 2006


mais tarde fiquei a saber...



enfim... é o minimo que devo fazer depois do apelo..


a personagem do blog anterior, surpreendeu-me durante o
dia com um dos seus acenos... 
num sitio onde não o esperava encontrar... 
(se e k alguma vx pensei encontra-lo durante o dia...)
É numa zona ilustre da cidade... a que alguem apelidou de Restelo
que durante o dia João segundo o que me disseram,
 é assim que consome as horas ensolaradas...
Se João e o seu nome, ou se simplesmente e c se fosse JOE p os ingleses, 
não sei, mas dar-lhe um nome, 
perceber que os seus dias não parecem diferentes das suas noites..
dá o que pensar...

Setembro de 2006


Esta é a homenagem que lhe posso fazer... 


hoje fiquei a saber muito mais sobre ele, 
sobre o seu blog, sobre a paixão pelos filmes, do ritual de domingo... :) 

Hoje a cidade prestou-te uma grande homenagem... pena que só a possas ver
a partir desse outro lugar...

Eterno Adeus

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Retratos

Uma folha,
Igual a tantas outras... branca, texturada, limpa;
Expectante de ti,
que a olhas, que procuras o seu melhor ângulo;
Hesitante recolhes a mão ao primeiro traço,
é leve e fluido, espalhando-se quando assim tiver de ser...

Vislumbras um cânone,
frio e distante do modelo que tentas reproduzir...
Olhas agora, e vês o rosto,
uma massa organizada; nada de novo.

Olhas mais uma vez,
e espantas-te por ver uma expressão,
não estava lá, ainda agora!

A coisa complica-se,
o olho também ri...

No que julgas ser o fim,
começas a modelar cada característica,
descobres as particularidades do modelo,
riste-te,
descobres os teus erros!
amaldiçoas a tua falta de competência,
desculpas-te, com a tua mão ferrugenta ...
Insistes, dás sombras, cruzas linhas, em vão.

Pois no fim, o modelo apesar de se parecer,
não é nem nunca será quem pensavas até então.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Guerras de Alecrim e Manjerona no quintal de casa...

O que é que eu faço à minha vida?!

"Atira-te ao mar... e diz que te empurraram...." (por acaso até dava jeito, um choque térmico e atirar galhos aos outros!)

Para esclarecimento dos literais... apesar de estar no halloween, não me entraram dois carros alegóricos pela casa a dentro... pelo menos por enquanto, não!

Mas as minhas personagens, encontram-se todas num quintal.
Não é um quintal qualquer, é o quintal que eu e o leitor idealizarmos, tão mutável como as nossas memórias, tão fresco ou tenebroso como as nossas emoções!
Onde vejo uma árvore airosa de frutos carnudos, há quem indistintamente veja um cacto verde e isolado, uma roseira a florescer de espinhos...
hum... o tempo é alternativo, e alterna-se tanto como a fala proferida, pelas minhas personagens!

Esqueçam o Gilvaz, Cloris, Semicúpio... e todos os outros...

Mas digam la se não se parecem mais com o carnaval!?

Aqui só temos:
o Voz-off, uma voz que ecoa no espaço, não sabemos de onde vem... mas tá lá e participa, mesmo que nunca responda quando lhe fazem uma pergunta directa.

o Duende, às vezes brincalhão, com ar divertido que apronta das suas, volta e meia até parece o mágico druida, com saídas sabias e enigmáticas, mas quando alguém lhe atira o cogumelo ao chão... ui... entre rabujar para todo o lado e a birra... venha o diabo e escolha!

a Cabra, um animal que já anda nestas paradas há tempo demais... Um dia é a que cuida de todos, preocupa-se com a protecção dos habitantes do quintal, fica enternecida com o gesto mais simples da natureza, noutros fica possuída e só atira coices p todo o lado! principalmente quando alguém armado em tonto, lhe puxa os pelos ou lhe trilha os cascos!!!

diálogos!?
Criem-nos vocês!
como fazia a minha mãe na minha infância, dou-vos as personagens e o cenário, agora arranjem o enredo, a moral, os diálogos e claro um fim....

cada um por si, como num dia mau no meu quintal!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Grilo falante

O que há a fazer!?
Quando a tua consciência:


-Tiver 2 pernas, e usa-as para caminhar à tua frente de um lado para o outro, enquanto tu estás sentado num banco de jardim às 500 da manhã com frio, e com ratos a passear nos ramos das árvores!


-Esfumaça-se que nem uma locomotiva vintage,


-Não desaparece quando pensas que estás a alucinar,


-Te disser coisas que nem o diabinho te diria!


- Se auto-denomina sem consciência... 


- Aparece em formato visual, 3d, por escrito e audio... em todos os horários e mais alguns, principalmente nos menos convencionais, e mesmo onde não é suposto aparecer... ai encarna a versão imaterial de eco a ressoar...


- pior... aparece na "boca" dos outros... (isto é o ressoar num nível mais elevado!)


- Dá-te, sim não te refere ou mostra, dá mesmo, DOCES, para que tu alimentes as tuas neuras, e que se lixe se vais, resmungar ao espelho e alfinetar a tua auto-estima!


- tu apareces com um dilema, mas como um dilema é monótono, e pode-se resolver com "pim, pam, pum", ele generosamente fornece-te gratuitamente mais umas quantas condicionantes para te entreteres... :S


- e no fim quando pensas que a analise está feita, todos os cenários verificados, e ufa... já podes partir descansada... porque tas confiante na tua racionalização...  a consciência...atira-te uma "batata quente" com tooodo o cenário discutido exaustivamente durante horas, com os factores simplesmente perversamente invertidos!


- E a cereja é.... despede-se com: a "ultima palavra é tua! tu é que tens de decidir!"



EU!?!?! mas para que é que serve a consciência?! para me fazer decidir com culpa ou para me ajudar a contorna-la?!?!


(sim, eu deveria envergonhar-me e não contornar mas evitar... mas pronto, não sou perfeita, ok!?)

agora um dilema partilho múltiplos cenários de resposta convosco sobre a minha única questão ou não?!

Tédio

Entediei-me com o meu blog!
Eu não sou o meu blog... ou será a minha outra personalidade a postar?!
(nota mental: verificar a hipótese citada)

Enfim não interessa...
O que interessa é que desvirtuei o propósito inicial do blog.
Sim, havia um propósito. Há sempre um, diga o que se disser!

Diário, cronica, sarcasmo e ironia, observação acutilante dos costumes, rematada com vinagre salgado em ferida aberta.... onde é que isso está?! num único texto!!!! ... "Romarias Modernas" e porquê?!
porque de alguma forma, por mim desconhecida, o blogue virou umas paginas de pseudo-poesia-barata, reflexo de umas emoções compiladas (criadas) para a satisfação narcisica do (meu)* ego...

Ufa 'tou aliviada.

agora já podemos voltar a rotina!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Tela

Com crueza o traço,
profana a pálida tela,
trilhando o caminho, 
(sempre longo até ao sucesso)
sempre menor que um passo,

surge num gesto,
mil imagens de todos ausentes em ti,
um esboço sem corpo,
numa tela que deixo de resto.

A paleta que tinge,
a paisagem de cenário,
o fundo cidade, que finge
em cada qual um actor secundário,

Dilui-se ainda a incerteza nua,
no momento, que se pinta, imortal,
pela cor porém... vibrará firme a agonia,
Nessa urbe vazia, cinzenta, vandalizada a metal;

Definidas por um traço comum,
Vagas, nos rostos anónimos,
serão ocas fraquezas,
virtudes de outros sinónimos.

Há porém...um...

Lugar menos obscuro, 
onde água é óleo!
a aguarás, perfumada,
a espátula, sem massa encorpada;

Ateliers de um conjunto,
de heterónimos tais,
que brindam à estranheza,
e em salvas aclamais!

Discorrem contos:
aveludados de sedosa linhaça.
para que seja no véu esfumado,
mantido; o ténue croqui de ambos,
num cavalete p'ra trás esquecido!