quarta-feira, 4 de maio de 2011

Mais um dia...

Há dias em que só te apetece contornar quem és...

Arriscar o que jamais arriscarias, desbravar corajosamente matos que pelos quais nunca entrarias... mas... hoje ainda está longe esse dia...

porque é forte o travão... "E se..."


queres por tudo em branco, mas tens medo de perder tudo o que ainda podes ter...


É assustador... ficar-se paralisado... mais por medo do que providência...

retraio-me para não te dizer que te penso, retraio-me para não te tocar em carinho...

Meço as palavras para não te assustar e levar para longe de mim...


omito o que sinto, abafo-o no mais fundo que há em mim..



sexta-feira, 15 de abril de 2011

Nostálgia

Hoje acordei cedo demais...
para as horas k me deitei... para o total de horas que dormi a semana toda!


Acordei pesada... provavelmente porque adormeci com os fones... e o cérebro não teve oportunidade de descansar...


... ando-me a arrastar por aqui... inútil... sem vontade de fazer algo pelo meu dia... por mim... por alguém...


Há pouco... dei comigo a ir ouvir/ver ao youtube... as musicas do tempo da idade do armário...

sim... é no mínimo... nostálgico...


mas há coisas k parecem k n mudam... mudam os cenários, mudam protagonistas...
mas o essencial é simplesmente igual...


deixo-vos algumas... 




( pronto ok esta é já de uma fase posterior... a maioridade...)




(os meus 15 aninhos... )



                                                        (esta é verdadeiramente do baú!!!)    



                                                             (báu na fase rebelde... )


e estas são especiais... 












duas homenagens a quem me aturou e atura... 




Bons tempos!

a todos um Bom dia...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Ser ou Estar... à deriva!

Eras,
Como uma escota caçada,
o vento a rugir no metal,
um cambar de vela,
um qualquer bordo afinal...

Estavas,
longe sem ferro,
perto de um outro cais,
só e de casco raspado,
por uma ou outra vaga
aconchegado...

És,
Um pouco de ti próprio,
solto em mar aberto,
num arrojado trapézio,
equilibrado.

Estás,
Como uma vela,
que em borboleta cruza o sol,
atípico rasgas em ondas
um horizonte destinado à liberdade,
mais um rumo sem amarras...

Serás,
a quilha a romper a espuma,
o respingar da água na proa,
o frio, o sol, o vento e o silêncio,
e não apenas a advertência,
de ti próprio faz, a palamenta!

Estarás,
um dia destinado,
a ser timoneiro da tua rota,
o "à deriva" perdeu-se em passado,
é boa a hora de te lançares ao largo...

Finalmente aparelhado,
faz-te coragem...
Ainda que, sem o peso do arrastar das redes...
jamais flutuarás num mar sem ser salgado!

quarta-feira, 23 de março de 2011

Éden

Ele.
Um másculo rochedo,
pateticamente curioso,
prova a carne frutuosa,
da mão da sua costela mais formosa.

Ela
Delicadamente falsa,
serpenteia-se pelos ramos do conhecimento,
para se saciar no acre da cidra,
que sem demora partilha...

Eles.
O ridículo da união,
dá Abel à ira de Caim.
jaz morto, que se toque o clarim.

Nós.
Legado, pesado o nosso,
a cruzar o mundo a corrigir,
porque apenas sonhamos,
um dia, o éden, poder redescobrir!

Caça

Insinua-se.
Um sedutor olhar desviante,
portador de um desprezo controlado,
a cativar a atenção...

Respondo.
Um sinuoso movimento,
desinteressadamente feminino,
a algemar-lhe a vontade...

Aproxima-se.
Qual predador sem presa,
rodeia sem se revelar,
na pressa da armadilha montar.

Finjo.
Sou um sorriso, para lá de mim
sou pele frágil e inocente,
a vestir um aço, osso, reluzente.

Apresentamo-nos.
Longe das palavras,
emergem os nossos corpos,
os nomes são lábios,
e o "- Prazer..." um beijo roubado.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sem Fôlego

Sussurra-se um gemido gritado.

Solta-se, mudo de todos os meus sentidos,
o verbo, que silva em estereofonia,
afónico, funde o som ao silêncio;

Solta-se, surdo de todas as minhas vontades,
o eco, numa outra qualquer parte ouvido,
casto, em  terreno marginalizado;

Solta-se, cego de todos os meus desejos,
o flash, exasperado rompe sem pele,
a gula de ver a razão!

Esgotado...

Solta-se, leve e efémero,
corporeamente etéreo, em ti,
um grito esmagado, de certo,
um só peso arrastado por mim.
Absurdo. Excessivo,
mas nunca antes carmim.

Sopra-se, por rancor,
um tal gemido,
quando chega... aquela coisa...
chamada fim!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Carta Para o Futuro


Olá!
Caros futuros habitantes da terra,

Como investigadora na área do património no meu país em 2011, passo dias, horas a imaginar como viviam realmente as outras culturas que precederam a nossa... infelizmente, o que podemos fazer é conjugar elementos e recriar à nossa maneira esse tempo que já se tornou passado...
Por isso quando descobri a hipótese, mesmo que remota de poder deixar um testemunho para o futuro, fiquei logo entusiasmada... mas 50.000 anos!? é quase como se lesse algo dos primeiros homens a habitar a terra...

Eu nasci, no virar de um século, alias de um milénio... e digo que foi um dos séculos em que ocorreram mais mudanças significativas... o homem foi a lua (na última metade do século XX o homem só olhava p o espaço à espera de ETs), Conseguimos perceber o ADN, temos Tv (agora são plasmas e LCD, e até ao final do ano no meu país apenas em sinal digital), o telefone já não nos chega por isso comunicamos, através de telemóveis (que parecem autênticos computadores), através de computadores (devem encontrar alguns no que tiverem agora a fazer de museu!) e e-mail! Alias, para ser precisa agora o Ipad e as tablets vieram revolucionar um bocadinho, e até os portáteis já são considerados old fashion. E claro, toda gente tem um perfil no facebook (um catalogo pessoal e de amigos... uma verdadeira fonte de voyeurismo moderna). Para terminar, aquecemos a comida que fazemos na bimby no microondas e a china invadiu os mercados com roupa de polyester! Sim... sem dúvida vivemos entre entulhos de material informático e plástico!
Agora em 2011 a grande preocupação para além do aquecimento global é a crise económica que se abateu em todo o mundo... algumas mudanças antevêem-se mas o plástico e os "tapawares" devem permanecer entre nós por mais umas quantas décadas! Agora o Euro (moeda única europeia) já viu um futuro mais risonho…
Tentamos desesperadamente encontrar a cura para muitas doenças, mas as principais que nos assolam e recebem alguma atenção por parte da investigação e dos grupos farmacêuticos são o cancro e a sida (que foi descoberta na década de 70/80 do século xx).
E acreditamos que a água potável, será um dos maiores problemas que iremos enfrentar num futuro próximo... Mas para já....
Presenciamos umas quantas guerras, mas a paranóia actual é o terrorismo... principalmente depois da queda das torres gémeas... (sinto-me como se estivesse a fazer um relato do colosso de rodes!)
Não faço ideia se estarão todos a comunicar numa língua comum, num inglês evoluído ou se o esperanto vingou... agora está na moda o inglês, até pensei deixar a minha mensagem nessa língua, mas acima de tudo, prefiro deixar na minha língua materna!  Que tola... já devem comunicar telepaticamente com tradutor automático incorporado! Nós não... e cada vez estamos menos letrados...  mas espero que no vosso tempo, o mundo ainda tenha gente interessada em descodificar estes textos, assim como nós fizemos c os egípcios...
Espero realmente que os livros não tenham desaparecido, essa é provavelmente a minha única angústia...
Eu vivo em Portugal, que segundo a ciência já não deve existir no vosso tempo... ao ritmo que a nossa costa sofre erosão... pois bem, Portugal é um país, da Europa ocidental que tem maior parte da sua fronteira no oceano atlântico, a outra fronteira (terrestre) é com a Espanha... “nuestros hermanos”. Não nos confundam com o mito Atlante... que deverá sobreviver até ao vosso tempo!
Falamos português e a capital é Lisboa. É um pais de clima ameno, e costumes brandos... a nossa história está cheia de feitos, já fomos senhores de um império. Os nossos escritores mais famosos são Luís de Camões (1524-1580) e Fernando Pessoa (1888-1935), apesar de termos ganho o Prémio Nobel da Literatura em 1998 com José Saramago (1922-2010). Por curiosidade, também ganhámos o Prémio Nobel da Fisiologia/Medicina, em 1949 com Egas Moniz (1874-1955), mas sendo o motivo algo sensível à luz da ciência médica actual, o melhor é falarmos de outra coisa. Temos orgulhosamente a palavra "saudade" que mais ninguém tem, e que quer dizer "sentir a falta de..." misturada com nostalgia... surge o Fado, a nossa música mais típica e vai concorrer a património imaterial da humanidade, esperemos que ganhe. Praticamente toda a doçaria portuguesa é feita a base de ovos - uma verdadeira tentação – ovos-moles, ovos queimados, pasteis de Tentúgal, barrigas de freira… Enfim um mar de açúcar e gemas. Temos ainda uma das zonas vinícolas demarcada mais antiga da Europa (ameaçada por uma barragem!), com o Vinho do Porto. Se existir, bebam um cálice por mim, quando ouvirem/lerem… sei la... este relato.

Quanto a mim sou uma jovem de 27 anos, a procura de emprego (já vos falei da crise não já!?) pois isto está complicado. Formei-me em escultura na Faculdade de Belas artes da universidade de Lisboa, e agora ando as voltas com a tese de mestrado em património, na faculdade de letras da universidade de Lisboa. Vivi um ano em Itália (devia ter ficado por lá...) onde estudei arte.
Nos meus tempos livres, que agora infelizmente são muitos, dedico-me a ler, a preparar as coisas para os escuteiros, pois faço parte desse grande movimento de jovens iniciado no século xx (primeiro milénio depois de Cristo), onde sou candidata (sim, nem aí tenho algo seguro) a dirigente. Estou a trabalhar com a 1ª secção – a alcateia (crianças dos 6 aos 10 anos). Também tento aprender salsa, numa escola de dança e até já melhorei bastante... e por fim sou voluntária numa instituição chamada Santa Casa da Misericórdia. Falo para além de português, italiano e inglês, mas como tenho tempo (já tinha referido, não já!?) estou a fazer um curso para melhorar o domínio do inglês...
Gosto de orquídeas, de viajar, de cozinhar e comer especialidades de diferentes partes do mundo, de nadar, fazer vela, de desenhar e de escrever, por isso vou mantendo um blogue (um tipo de diário virtual)....  ou seja só trivialidades!
Vivo com a minha mãe. O meu melhor amigo é engenheiro físico e provavelmente a única pessoa que me entende... Ainda não deixei descendentes no mundo, por isso... não sei se alguma réstia do meu ADN irá chegar ao vosso tempo... pois... 50.000 anos... yah!

Eu arrepio-me só de pensar... nos nossos homens das cavernas e as suas gravuras... eu a escrever num computador portátil... e vocês!? Vão estar a ler onde? Como? Esta nossa tecnologia vai ser arcaica para a vossa época... eles (os cientistas) vão gravar isto em DVD... no futuro ainda irão dizer qualquer coisa como “discos que provavelmente usariam como adorno”!
Entre nós e as pirâmides... está menos tempo... que entre eu e vocês no futuro... e penso em todo o enigma que eles são e continuam a ser para a nossa época...
Ver a nossa era como o enigma a ser estudado é no mínimo... bizarro!

Bem, poderia escrever um testemunho equivalente a 4 páginas de papel, mas ou a minha vida é mesmo desinteressante ou sinceramente não sei mais o que vos dizer, sobre este mundo em que vivo, sobre este planeta multicultural... rico em cheiros, sabores, fonemas e objectos.
Adoro o meu planeta, e espero que vocês também o adorem, espero que ainda possam viver nele e usufruir de todo o seu esplendor!

Com uma esperança naive... despeço-me com carinho,       
Sara 
7 de Janeiro de 2011



terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Flecha

Oiço o seu silvo atravessar o ar,
oiço o ribombar da corda ao soltar,
uma, duas, três... tantas quanto lhe bastar.

Sou o alvo, estanque;
Perante o seu arqueiro.

A primeira é assertiva,
todas as outras prolongamentos,
do seu rasgo ferido.

Correm lágrimas a cada seta,
disparada,

(o alvo chora o reflexo do arqueiro),
(o arqueiro derrama o pranto a si infligido),
A dor dilacerante da verdade omitida,
O prurido insaciável da ausência imposta,
A dormência latejante da perda, sobreposta,
ao ardor acutilante da raiva contraída.

Empaticamente sabem ambos o efeito,
das marcas deixadas, em cada um.
Alvo e arqueiro!
Pela percepção das suas posições,
antagónicas,
mas ironicamente complementares,
Resta a sequela...

Tudo.
Um campo de batalha.
A servir apenas o recolher das flechas lançadas,
e o sarar das mágoas...

domingo, 21 de novembro de 2010

Mordida

Há aqueles dias em que sentes que tens de escrever, mas... não há palavras que saiam... não há frases que se formem... mas aquele aperto continua... aquele tremor interno... que se quer jorrar em palavras, em frases... em grito.... acima de tudo...

Ontem fui-me deitar, com uma contradição dentro de mim... hoje acordei roída...
mordo o silêncio alvoraçado, dentro de algo imaterial... que se materializa em mim...

Não sei por onde começar... não sei por onde e como exteriorizar...
temo o arrependimento,
temo a posição que defendo... por oposição ao que quero...
temo ainda por tudo isto... afastar-te de mim...
temo não saber demonstrar o que sinto, e iludir-te com outro lado que pouco tem de mim...
temo que este texto não seja lido...
temo agora mais, que não seja de todo compreendido...
temo não estar a escrever o que devia...
temo escrever mais do que o que digo
temo jamais veres para la do acto irreflectido de olhar.

Estou aqui.
Mas, temo um dia não estar...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

TORANJA - Carta




Não falei contigo
Com medo que os montes e vales que me achas
Caissem a teus pés
Acredito e entendo
Que a estabilidade lógica
De quem não quer explodir
Faça bem ao escudo que és

Saudade é o ar
Que vou sugando e aceitando
Como fruto de Verão
Jardins do teu beijo
Mas sinto que sabes,
Que sentes também num dia maior
Serás trapézio sem rede
Pairar sobre o mundo
Em tudo o que vejo

É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago e feiticeiro
Que a minha bola de cristal é folha de papel
E nela te pinto nua
Nua, numa chama
Minha e tua

Desconfio que ainda não reparaste
Que o teu destino foi inventado por gira-discos estragados
Aos quais te vais moldando
E todo o teu planeamento estratégico de sincronização,
Do coração, são leis como paredes e tectos
Cujos vidros vais pisando

Anseio o dia em que acordares por cima
De todos os teus numeros,
Raizes quadradas,
De somas subtraídas,
Sempre com a mesma solução.
Nah!
Podias deixar de fazer da vida um ciclo vicioso,
Harmonioso,
Ao teu gesto mimado
E à palma da tua mão

É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago e feiticeiro
Que a minha bola de cristal é folha de papel
E nela te pinto nua
Nua, numa chama
Minha e tua

Desculpa se te fiz fogo e noite
Sem pedir autorização por escrito
Ao sindicato dos Deuses
Mas não fui eu que te escolhi
Desculpa se te usei
Como refugio dos meus sentidos
Pedaços de silêncios perdidos
Que voltei a encontrar em ti.

É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago e feiticeiro...

...E nela te pinto nua
Nua, numa chama
Minha e tua
numa chama minha e tua...

Ainda magoas alguém
O tiro passou-me ao lado
Ainda magoas alguém
Se não te deste a ninguém
Magoaste alguém
A mim passou-me ao lado...
A mim passou-me ao lado...