terça-feira, 25 de novembro de 2008
pontas soltas...
Mas a nossa personagem Sofia não descansa enquanto não se enrola em ventos ciclonicos, procura tanto que encontra sempre uma nova historia onde mergulhar... mergulhos em apeneia e de olhos fechados... e confortavelmente na sua privação de ar escorrega por elas a dentro, sem saber se ha fundo, se ha ir e voltar, se ha alguém p a salvar...
Sofia, apenas mergulha.... e volta a mergulhar.... e mergulha e mergulha e mergulha...
e destes ultimos mergulhos ela tras muito para contar... ui se tras.... mas sera que deve? a questão impõe-se...
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Cara ou Coroa
Quando nos fazem rir,
Quando atrapalhados tentam secar as nossas lágrimas,
Quando nos insultam ou quando nos pedem ajuda.
O amor, por sua vez, nem sempre...
Se apresenta de uma forma clara, nem sempre dá a cara.
De um modo, estranho, por vezes apresenta-se como coroa.
Mostra-nos a outra face mais incómoda.
Apesar de tudo, todos atiramos a moeda ao ar...
vezes e vezes sem conta...
Ups, lá vai ela...
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Romarias modernas
Mas mesmo antes de terminarmos, repararíamos, nas fronteiras terrestres do país, e como uma criança iríamos jogar ao jogo dos países através das matrículas que se dispersavam por todo o território, com uma ligeira inclinação para o norte. Não, não são estrangeiros, são portugueses que vêm matar saudades, esse sentimento muito nosso, esse que nos faz sentir falta das gentes, dos ofícios já em desuso, de sabores - do azeite e do bacalhau, dos cantares e da língua, da aldeia que o Google não encontra porque é só nossa, é parte do nosso património, da nossa memória. Essa aldeia, algures entre uma e outra geração, tornou-se um bibelot a que só é retirado o pó nesta altura. Durante o ano envelhece num silêncio de outros tempos, mas em Agosto respira vida, toma lugar no centro da mesa ao lado do bom vinho e da jarra das flores, rodeia-se de pratos típicos, quermesses, colchas ricas a enfeitar varandas, farturas, pálios, anjinhos, enchidos, estandartes, trajes domingueiros (que de domingo têm pouco), bandas filarmónicas e bailaricos!
segunda-feira, 7 de abril de 2008
O Prédio em Construção
De repente a sala do jogo, tornara-se demasiado pequena, claustrofóbica, para que os dois pudessem estar ao mesmo tempo, ali. Felizmente, os outros também acusavam algum cansaço e falta de verbas para continuar a picardia. Assim, mais uma vez em jeito de rebanho deslocaram-se para o exterior.
Em frente ao bar, erguia-se um amontoado de betão, desenhava-se verticalmente um novo edifício, que cortava antipaticamente parte da vista, da rua principal, para o mar. Assentaram arraias, em frente ao edifício. A essa hora da madrugada, os corpos já acusavam o cansaço do sol da tarde, e qualquer lugar era demasiado longe, para a preguiça que arrastavam nos músculos, doridos pela repetida rebentação das ondas matinais. Sem mudanças de relevo, as conversas seguiam os rumos anteriores. Todas menos as que se passavam na cabeça de Sofia. Soterrada em questões e inseguranças, ansiosa por libertar-se num grito, que fosse, mas a sua boa educação não lhe permitia. Queria confrontá-lo, mas faltava-lhe a coragem e temia o ridículo. Sentiu-se afundar numa espiral de controvérsia emocional. Que se exprimia cinicamente, num sorriso e em gestos bem coordenados e harmoniosos.
Olhou, para trás e viu aquele gigante cinzento riscar o céu nocturno, de repente viu que algo estava suspenso, do topo para baixo e que reflectia a luz da aldeia. Foi o sinal que precisava. Irrompeu, pelo esqueleto de betão a dentro, subiu, subiu, e tornou a subir os degraus que a levaram ao topo, ao terraço que fechava o complexo sistema de betão e o abria às estrelas da noite. Fechou os olhos e respirou fundo, numa fracção de segundo estava só, livre e cheia dos elementos que respeitava, o mar, o vento e o luar.
Uma fracção de segundo, foi o que durou o isolamento, quando abriu os olhos, já uma voz vinha no seu encalço, e atrás dela, alguns pares de passos. A voz, não era de quem ela queria, era uma voz arquitectada de enredos e sedução. Quando próxima, manifestou-se preocupada e interessada em acompanhar a loucura demonstrada. Era alto, magro, bem-disposto e cavalheiresco demais para os tempos que correm, agia de forma ambígua tanto poderia querer revelar sedução como atenção ou delicadeza. Finalmente, reparara nele. Ele estava aliviado e visivelmente intrigado com esta pessoa que não lhe dera atenção. Via-se que estava habituado a ser o centro das atenções. E esta nova "amiga" nem reparara nele, e ainda por cima em detrimento de outro, e isso sim desconcertava-o.
A ideia que tinha sido de escape, tornara-se perigosa, afinal nem todos estavam no seu mais lúcido perfil. Alguém, um tanto alcoolizado aproximara-se arriscadamente da berma do edifício. Isso fez com que todos recuassem à entrada firme e sólida do prédio. Bastava de emoções por essa noite. Daí a umas horas, nasceria um novo dia. E tal como chegaram, foram partindo um a um, com promessas de amanha.
Por fim, ficaram novamente as duas, sentadas numa fonte que circundava um ângulo da rua principal, perpendicularmente à fonte, rompia-se na paisagem a rua que deveriam subir, até casa. Enquanto ganhavam coragem, para passar pelas ruas desertas assombradas pelo pinhal, fizeram o balanço da noite, da viagem, das duas, do ano… Levantaram-se e encaminharam-se para casa, ao som das suas vozes a entoar os Loucos de Lisboa.
Trivial Pursuit
Esgotadas, as piadas e refrescado o ambiente… a noite prosseguia quente e agitada. Tão quente, que reclamava por líquidos, tão quente que fazia os corpos vibrar ao som de uma música distante. Inebriados pelo som que ecoava a um quarteirão de distância, deixaram-se levar ritmadamente até ele. Estancaram-se em frente, a um prédio branco, que os recebia num pátio, onde funcionava uma esplanada, que de esguelha se reclinava para a rua que dava acesso à praia, e de onde se podia reconhecer o seu contorno. Nas entranhas do pátio, abria-se em arco, a entrada, do que se adivinhava ser um bar. Entraram, deram uma volta, em busca de caras conhecidas. Enquanto, Ana fazia as honras da casa à amiga, ia sussurrando-lhe os segredos do lugar.
Ana, era visivelmente acarinhada por todos, também por eles era tratada como a maninha mais nova, que crescera depressa por causa das suas influências. Espevitada, bem-humorada, travessa, simples, interessada e interessante era sem dúvida o tipo de miúda popular, de fácil trato e de agradável companhia. Muito morena, e de expressões acentuadas, não evidenciava a diferença de idade em relação aos outros, pelo contrário certamente passaria até por mais velha que alguns elementos daquele grupo. Era sem duvida a rapariga-amiga-companheira de aventuras, e não a rapariga-presa-namorada, presença típica nos grupos maioritariamente masculinos. E Sofia, por arrasto deveria ser tida no mesmo contexto, mas cometera um deslize para além de ser a "novidade"…
O bar, dividia-se em quatro espaços, a esplanada, o bar-sala-pista, a esplanada interna, e um recanto que também tinha ligação com o exterior onde repousavam umas máquinas de jogos. Numa das máquinas de jogos, cintilava o nome do famoso jogo de tabuleiro, que testa os conhecimentos dos jogadores – Trivial. O suficiente por tanto, para cativar a atenção das duas amigas, que se achavam, para a idade, bastante informadas e com um nível de cultura expressivo. Desafiaram-se mutuamente, qual das duas saberia mais?! Não foi difícil perceber, que juntas é que eram a força, os conhecimentos das duas, conjugados abrangiam quase todos os temas tratados, Ana era dada às ciências exactas e à música, Sofia à história, artes e espectáculo, e ambas bastante fortes a literatura e simultaneamente bastante fracas a desporto. Depois de fornecerem pontos, uma à outra nas ajudas às respectivas perguntas, começaram a jogar em conjunto. E o nome da tabela, foi subindo lugar a lugar até atingir o pódio. Uns tempos mais tarde, naquele mesmo lugar, seriam pagas (sem segundas intenções) por um estranho, para ganharem e pontuarem. Naquela noite porém, num misto de despeito e desafio, foram incentivadas pelo amigos a provar que realmente mereciam o lugar da tabela que tinham alcançado. Assim, num clássico eles contra elas, prolongou-se a noite. Mas como era de se esperar, instalou-se a anarquia e todos respondiam a todas as perguntas. Exaltavam-se os ânimos, discutiam-se respostas, criticava-se respostas erradas quando escolhidas pela maioria em detrimento de uma opinião solitariamente certa.
No meio, da animação, o mais recente "par" atingido pelas setas misteriosas do cupido, jogava silenciosamente o jogo do rato e do gato. Sem saberem exactamente com o que contar do outro lado. Aproximavam-se e afastavam-se conforme as ondulações dos amigos. Camuflados por eles, insinuavam-se um ao outro de forma discreta para não levantarem novas ondas de embaraço. A dado momento, passaram a barreira do olhar, dando lugar ao toque, sem dúvida premeditado mas disfarçado pelo acaso. A manga da t-shirt dele roçara ao de leve na pele macia dela, a madeixa de cabelo dela, escorregara sobre o ombro dele, enquanto ambos se debruçavam sobre a máquina, para apurar os resultados. Os jogos do toque e foge, atiçavam, no seu íntimo, sensações contraditórias: arrepio, vergonha, ansiedade e ternura. Por fim, recostaram-se um no outro, em silêncio e sem comentários, deixaram-se estar no conforto do encontro, momentâneo, dos seus corpos.
Durou pouco, de repente o atilado futuro médico, agitou-se e retraiu-se. Afastou-se abruptamente, com um olhar atravessado por culpa, medo, incerteza e até um leve esgar de indignação. Apanhando Sofia completamente desprevenida. Ficou muda, um silêncio proveniente da alma. Questionava-se, se teria compreendido tudo errado, se se teria precipitado? Mas todos os sentidos e a sua razão teimavam em dizer-lhe que não estava errada. Mas como não haveria de estar errada, se ele, aquele com quem ela mantivera um discurso silencioso, se comportara assim?! Terá realmente havido esse diálogo? Estaria ele a gozar com ela? Ou estaria ele a marcar pontos entre os amigos? Não, nada disso, era incapaz de aceitar isso, sabia que tinha lido a verdade espelhada nas lentes, que ele usava com certeza para ler os grossos livros de medicina. Convencia-se, a culpa não era dela, porque seria?
O tridente de Neptuno
segunda-feira, 31 de março de 2008
A sobremesa
O jantar, tinha sido com uma agradável vista sobre um mar, que se decorara de negro, e a sobremesa decorria agora numa sala adjacente à do jantar.
Estavam as duas de férias, sozinhas, e já se sentiam tão adultas e vividas, que só poderiam escolher para sobremesa umas caipirinhas. Eram, a escolha certa para brindar a esse gosto adocicado de liberdade.
Sofia, tinha atingido nesse ano a maioridade, e como se isso já não bastasse, esperava o resultado da candidatura à faculdade. Andava tensa desde o inicio do verão mas tentava a todo o custo disfarçar, às vezes sem efeito, procurava concentrar-se noutras coisas, ou ocupar-se em fazer nada, era para isso que este verão serviria, para NÃO fazer nada, para além de se divertir.
À Ana, ainda lhe faltavam um par de anitos para passar por esta amarga espera. Apesar de ser ela a anfitriã, não conseguia fazer com que Sofia, não se sentisse responsável também por ela, não de uma forma maternal, mas em jeito de irmã mais velha (se bem que como filha única não sabia se era exactamente assim que se sentiam os irmãos mais velhos em relação aos mais novos). Mas este era o seu jeito de se preocupar com os outros. Aliás, havia nela, uma incrível necessidade de se preocupar com os outros, tornando-se por vezes realmente irritante. No seu seio de amigos, era vista como a mamã, pelo conselho e advertência, que tinha sempre pronto na ponta da língua, um dia iria descobrir que a sua melhor qualidade poderia ser simultaneamente o seu pior defeito.
Aquela praia, tornara-se a ilha deserta para onde levavam os amigos, longe dos olhares reprovadores dos pais, podiam dar azo à criatividade e esgotar as horas da noite bem longe das quatro paredes de um quarto.
A hora combinada, aproximava-se e em breve a mesa agora apenas ocupada pelas duas, esconder-se-ia, por baixo de vários braços, mãos a gesticular, telemóveis, copos e bases de copos. Sofia, puxou do cigarro e olhou para a janela em busca de coragem, para distribuir sorrisos e amabilidades a desconhecidos, devia isso à Ana e sobretudo a ela, era a sua prova de fogo.
Voltou à realidade pela voz da amiga, que lhe cravava um cigarro, não é costume faze-lo, tem vezes… os de Ana, tinham acabado, e ela demonstrava preguiça em ir à máquina, que ficava do outro lado da sala. Nesse tempo, os cigarros ainda estavam ao alcance da mesada que recebiam, mas já se adivinhavam piores dias…
Foram chegando, uma hora depois estavam rodeadas, de gente bem-disposta que se atropelava em conversas. Actualizavam a amiga, quanto às ultimas cusquices da zona, quem andava com quem, que um bar novo tinha aberto, que outro tinha mudado de gerência, que o miúdo radical da aldeia vizinha prometera desforra ao joãozinho, por causa de uma corrida de moto 4… no meio destas banalidades vividas ao rubro, Sofia deixou-se ir embalada pelo som desta salganhada de gente, ia tomando as histórias como suas…
Manifestamente, eram mais rapazes que raparigas em volta daquela mesa, para além das duas, contava-se mais uma rapariga - que seria namorada de alguém e outra que pontualmente aparecia para dar o seu cunho pessoal ao relato. Sem surpresas, estava bastante marcado nas suas experiencias que se entendiam melhor com rapazes do que com raparigas, efectivamente tinham sido dois rapazes que as fizeram cruzar caminhos, dois melhores amigos. Ironicamente aquela noite trazia consigo, novos conhecimentos, portanto novos rumos…
A Viagem
Uma aragem quente de fim de tarde enrolava nela pedaços de uma jornada, quiçá de um ano atribulado. Afinal tudo, se resumia a este momento…
duas jovens que mal se conheciam sentadas numa paragem de autocarro deserta.
O ar estava quente, abafado por um verão que se alongara, a paisagem inóspita que as engolia, cobria-se de tons dourados e vermelhos. Fazendo-as sorrir, cansadas e felizes.
Expectantes, olhavam para aquela imensidão que se reflectia abruptamente nos seus espíritos inquietos. O autocarro parou. Entraram e deram largas à imaginação, a poucos quilómetros junto à praia encontrariam o seu destino. Um daqueles destinos, que não se finda com o calor do verão, nem com paragens de autocarro, talvez daqueles destinos que soltam amarras entre marés…
Tinham-se conhecido há poucos meses, mas a aproximação acontecera exactamente no inicio desse verão.
Coincidências, não existiam para elas, preferiam justificar estes acasos da vida com respostas filosoficamente rebuscadas, temperadas com a misticidade da vida e do espírito. Tudo acontecia porque o alinhamento cósmico assim o previra. Ele, sim o verdadeiro responsável, não elas, já mais o haviam previsto e ainda menos o que estaria para vir.
Ana, a mais nova das duas, é que falara deste local, conhecia-o bem, ali passara verões e fins-de-semana da meninice. Ali, naquela mesma zona, entre pinheiros e grãos de areia, deu os primeiros passos de uma adolescência que não se mostrava pacifica. Morena, de olhos negros brilhantes, daqueles que não deixam escapar detalhes, nem se permitem a passar despercebidos. Descrevia cada pedaço de terra e de gente, como se folheasse um velho diário, atropelando-se em fragmentos e desejos entusiasmados. Tentando sufocar a ansiedade, própria de anfitriã, discorria pensamentos, para os corrigir e alterar imediatamente… preocupava-se visivelmente com o que poderia ser possível ou não fazer, para tornar estes dias, nuns dias dignos de pertencer a um livro de memórias.
- Ir a onde? Fazer o quê? Conhecer quem?!
Interrogava-se Sofia, suspensa no meio dos pensamentos cambaleantes da amiga, submersa em tanta informação fragmentada, deixou-se levar pelos seus próprios pensamentos e expectativas.
Lembrava-se, o local não lhe era estranho de todo, em tempos havia passado por lá de noite, naquelas actividades de escuteiros que duram uma madrugada, mas na verdade não lhe era estranho por isso mas porque a mãe lhe havia falado desse local, e segundo se lembrava eram boas as recordações que esta guardava, lembrava-se também que isso tinha contado um ponto a favor, quando a informou que tinha em mente esgueirar-se com uma nova amiga, por uns dias para aquele destino. E ali, estava ela numa terra que em tempos fora de pescadores, à espera do que lhe poderia cair na rede.
À chegada, estava já tudo planeado, nessa noite iriam a casa só para se desfazerem do peso arrastado das malas, arranjarem-se, comer qualquer coisa para depois saírem, dariam um giro pela aldeia para que Sofia conhece-se os velhos amigos de Ana. Tudo estava planeado, tudo, menos a falta de gás. A casa estendia-se à entrada com um tapete verde, e o sapo que estava de guarda, camuflado no tapete, recebia-as com um ar entediado. Uma casa de piso térreo, em forma de L, branca como a região pedia, mostrava-se pitoresca e acolhedora, resguardada no fundo de uma rua, de costas voltadas ao pinhal e de janelas viradas à maresia, encaminhava-as para uma cozinha pequenina, que servia de entrada prática, a pés e corpos cobertos de areia.
Os sacos tinham sido largados, um pouco por todo o lado, a sala revelara-se muito acolhedora, cadeirões de verga, cobertos por almofadas floridas e um sofá escondido por mantas e tecidos, preenchiam o espaço que se completava com uma lareira extinta, e uma mesa que adivinhava algo paranormal. Afinal estavam no sopé do monte da Lua…
- Não, há gás! A bilha está vazia.
Constatou, Ana ao verificar porque é que a torneira de água quente teimava em deitar só água fria.
- A serio? E agora, a esta hora não deve haver sitio nenhum para arranjarmos uma…
Desmotivada, respondia à amiga enquanto abria as portadas da sala para o jardim.
-Não, interessa, amanhã tratamos disso, hoje vamos jantar ao Barmácia.
- À farmácia?! 'tás tonta, achas que me serve de jantar umas aspirinas? Já agora como sobremesa um prozacquesito!
- ah ah ah, tu é que és tola! Eu não disse farmácia, disse Barmácia, é um spot onde servem uns hambúrgueres e também é um bar! Duh!
Sofia, sentiu-se corar. Num misto de indignação e ingenuidade. Como ela odeia estas coisas, a cara dela nunca vai de acordo com o discurso, facilmente espelha aquela vermelhidão, que a embaraça constantemente… e isso contraria completamente a sua maneira de ser, gosta de ter tudo delineado, faz o género de aventureira, mas na realidade só ela sabe como adora a ordem, de ideias e dos actos, pouco lhe agrada os sobressaltos, tudo pode ou deveria ser planeado. E isto de ser apanhada, pela amiga mais nova, mais a súbita mudança de planos, vinha chocalhar em demasia a sua postura de segurança número 345, usada só para defesa, de locais e pessoas que mal conhece!
Agitou-se ainda mais, quando reparou que a amiga, pegara no telemóvel e rolara por uma lista infindável de nomes, à procura de companhia para o jantar.
Sossegou momentaneamente, quando a central telefónica resultara em zero, em companhia para o jantar, mas o esforço da amiga tornou-se mais produtivo, demasiado, produtivo para a sobremesa, por alto já contara cerca dez nomes…